QUARESMA NO BATUQUE: NÃO É O QUE MUITOS PENSAM | Anderson d'Lodê

QUARESMA NO BATUQUE: NÃO É O QUE MUITOS PENSAM
por Anderson d'Lodê
A tradição africana não se perdeu, ela se adaptou para sobreviver.
Os 40 dias da chamada “Quaresma”, dentro do Batuque e das religiões de matriz africana, não representam a Paixão de Jesus, representam um fundamento ancestral:
O tempo de descanso da terra entre uma colheita e outra.
Na origem africana, a terra é sagrada. É força viva.
É domínio dos Orixás ligados à existência e à agricultura. E tudo que é vivo precisa parar para se renovar.
No Brasil, diante da escravidão e da proibição do culto, esse fundamento não foi abandonado, foi adaptado.
A Quaresma se tornou o tempo possível para manter viva essa tradição.
Por isso, dentro do Batuque, esse período é:
• Respeito à terra
• Respeito ao axé
• Respeito aos Orixás
Não é penitência cristã.
É consciência ancestral.
E é importante dizer:
a ideia de “mal”, “diabo” ou feitiçaria nesse período não pertence à tradição afroreligiosa.
Quem é de fundamento sabe:
sem pausa, não há equilíbrio.
sem renovação, não há força.
sem respeito à terra, não existe axé.
Menos reprodução de ideias impostas.
Mais consciência da própria raiz.
Axé é para quem tem fé.
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Texto crédito é de Pai Mozart de Iemanjá


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