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QUARESMA NO BATUQUE: NÃO É O QUE MUITOS PENSAM | Anderson d'Lodê

Foto do escritor: Nicole D'Oshun
Nicole D'Oshun
1 de abr.
1 min de leitura
imagem compartilhada por Michele D'Ogum Açuã
imagem compartilhada por Michele D'Ogum Açuã

QUARESMA NO BATUQUE: NÃO É O QUE MUITOS PENSAM

por Anderson d'Lodê


A tradição africana não se perdeu, ela se adaptou para sobreviver.


Os 40 dias da chamada “Quaresma”, dentro do Batuque e das religiões de matriz africana, não representam a Paixão de Jesus, representam um fundamento ancestral:

O tempo de descanso da terra entre uma colheita e outra.


Na origem africana, a terra é sagrada. É força viva.

É domínio dos Orixás ligados à existência e à agricultura. E tudo que é vivo precisa parar para se renovar.


No Brasil, diante da escravidão e da proibição do culto, esse fundamento não foi abandonado, foi adaptado.

A Quaresma se tornou o tempo possível para manter viva essa tradição.


Por isso, dentro do Batuque, esse período é:


• Respeito à terra

• Respeito ao axé

• Respeito aos Orixás


Não é penitência cristã.

É consciência ancestral.


E é importante dizer:

a ideia de “mal”, “diabo” ou feitiçaria nesse período não pertence à tradição afroreligiosa.


Quem é de fundamento sabe:

sem pausa, não há equilíbrio.

sem renovação, não há força.

sem respeito à terra, não existe axé.


Menos reprodução de ideias impostas.

Mais consciência da própria raiz.


Axé é para quem tem fé.

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Texto crédito é de Pai Mozart de Iemanjá

 
 
 

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